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DULCINA DE MORAES (88 anos)

ID: m252 Categoria: Diretores Date : Tuesday 28th July 2020 9:00:00 pm Tipo : Image / Photo

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Resenha

Dulcina Mynssen de Moraes         

 

(Valença/ESPANHA, 03 de fevereiro de 1908)     

(Brasília/DF, 28 de agosto de 1996). 

 

Dulcina de Moraes foi uma produtora, diretora, professora de interpretação e atriz de TV e teatro brasileira. Dulcina foi a criadora da Fundação Brasileira de Teatro - (FBT)” depois transformada na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília. Dulcina de Moraes é considerada uma das grandes damas do teatro nacional. Dulcina foi agraciada com a medalha do mérito da Associação Brasileira de Críticos Teatrais - (ABCT)” como melhor atriz do ano pelo conjunto da obra. Dulcina era filha de dois grandes atores da época, Átila e Conchita de Moraes. O seu nome é uma homenagem a sua avó materna Dulcina de Los Rios Vallina, que também era atriz. Seu nascimento aconteceu durante uma turnê da companhia de teatro onde seus pais se apresentavam. Eles estavam hospedados em um hotel em Valença, quando Conchita entrou em trabalho de parto. O dono do hotel, ao ver que Dulcina iria nascer, proibiu que os pais dela ficassem lá. Diante da situação, o elenco se revoltou e se recusou a continuar hospedado no local. A “Condessa de Valença” soube do ocorrido e rapidamente disponibilizou uma casa desabitada para Conchita dar a luz. A população local se solidarizou, levando mantimentos para Conchita até que, finalmente, Dulcina nasceu. Com um mês de vida, Dulcina já estava em cena nas apresentações mambembes, ocupando o lugar de uma boneca em um berço utilizado na peça. Dulcina era irmã das atrizes Ruth Mynssen e Edith de Moraes e tia do ator Luiz Carlos de Moraes e da atriz Sônia de Moraes. Dulcina de Moraes começou a carreira com a “Companhia Brasileira de Comédia”, de Viriato Corrêa. Aos quinze anos, Dulcina de Moraes estreou o espetáculo “Travessuras de Berta”, pela “Companhia Brasileira de Comédia” no Teatro Trianon e aos dezessete anos ingressou na “Companhia Teatral de Leopoldo Fróes, a mais importante na época. Mesmo em começo de carreira, Dulcina de Moraes era bastante elogiada, chamando a atenção de público e de crítica pela naturalidade e temperamento nos palcos, muitas vezes criticada negativamente por sua impetuosidade na atuação. Dulcina foi a atriz principal de “Lua Cheia” de André Birabeau. Dulcina de Moraes atuou em diversos papéis, muitos de comédia, mas também em dramas e montagens históricas e peças clássicas da dramaturgia mundial. Dulcina de Moraes se casou com o empresário e também ator Odilon Azevedo e junto com ele, fundou a “Companhia Teatral Dulcina-Odilon”, responsável por várias peças de sucesso nos palcos nacionais. A companhia foi a primeira a trazer, para o público brasileiro, peças de autores como García Lorca (“Bodas de Sangue”), D’Annunzio (“A Filha de Iório”), Bernard Shaw (“César e Cleópatra”, “Santa Joana” ePigmaleão) e Jean Giraudoux (“Anfitrião 38”). Alguns dos trabalhos de maior sucesso de Dulcina foram as peças “Amor” e “A Chuva” que permaneceram anos em cartaz e percorreram todo o país. Dulcina de Moraes inaugurou a Fundação Brasileira de Teatro, se dedicando integralmente a este projeto, primeiro no prédio onde hoje está o teatro que leva seu nome e mais tarde em Brasília, formando centenas de atores. Atriz fundamentalmente de teatro, Dulcina de Moraes fez pouco cinema e televisão. Na TV fez apenas parte do elenco do “Grande Teatro Tupi” que foi um programa de teleteatro idealizado e dirigido por Sérgio Britto. O programa exibia famosas peças de teatro adaptadas, em sua maioria pelo autor Manoel Carlos, para a televisão. No cinema, Dulcina de Moraes fez os filmes “24 Horas de Sonho” e “Mulher Que Passa”. Dulcina de Moraes inaugurou o Teatro Dulcina" em Brasília. Antes, durante alguns anos, Dulcina não atuou em nenhuma peça porque estava se dedicando a transferir a “FBT” para Brasília e a inaugurar o “Teatro Dulcina”.  Depois, porém, Dulcina voltou a atuar na peça "O Melhor dos Pecados” de Sérgio Viotti  com direção de Bibi Ferreira. Desde a criação da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, a atriz passou a se dedicar exclusivamente às aulas de teatro na faculdade. Dulcina morava sozinha, desde a morte de Odilon, num apartamento que ganhou do Presidente Emílio Garrastazu Médici e raramente falava com a imprensa. Dulcina chegou a estar à beira da falência, mas amigos organizaram a campanha "Viva Dulcina!", cuja renda salvou a sua fundação.  Os autores nacionais como Viriato Corrêa (“A Marquesa de Santos”), Raimundo Magalhães Jr. (“O Imperador Galante”) e Maria Jacintha (“Convite à Vida”, “Conflito” e “Já é Manhã no Mar”), entre outros, também tiveram sua vez no repertório de Dulcina. A faculdade de artes, criada por Dulcina em Brasília, ainda existe, mas há anos enfrenta problemas financeiros e administrativos. O “Teatro Dulcina” foi tombado e passou a ser considerado patrimônio cultural, mas também enfrenta dificuldades financeiras. Dulcina só retornou ao Rio de Janeiro, a convite de Bibi Ferreira, que a dirigiu em “O Melhor dos Pecados” de Sérgio Viotti, peça que foi escrita especialmente para a atriz. Dulcina de Moraes estava internada para tratar uma diverticulite, mas acabou não aguentando o tratamento e morreu.

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